- 30 de agosto, 2011
- Categoria: Artigos
Durante todo o tempo em que venho administrando o SinalVermelhoCuritiba.COM, pude observar a reação que o blog causa nas diferentes pessoas, e percebi que o nosso público pode ser dividido em 3 grandes fatias:
- Seguidores: percebem logo de cara, ou após alguns posts, o “espírito da coisa” e passam a apoiar a nossa causa. São entusiastas que divulgam o blog, voltam, participam e comentam
- Ofendidos: não aceitam as críticas jamais. Geralmente curitibanos “da gema”, ignoram as evidências e sempre acharão um motivo para criticar nosso trabalho
- Divididos: eu uso esse termo para classificar aqueles que estão no “meio do caminho”. Muitas vezes acham o trabalho interessante, mas têm críticas ou consideram que “pegamos pesado”.
Esse post é direcionado, sobretudo, aos “divididos“, pois acho que eles merecem alguma explicação. Quanto aos ”ofendidos“, eu nem perco meu tempo pois são que nem cornos mansos: ainda que suas mulheres os traiam com consentimento da vizinhança, eles não costumam se abalar nem assumir seus erros.
Como falei acima, boa parte do nosso público “dividido” se incomoda com a linguagem que utilizamos. Alguns frequentam o blog, deixam comentários eventuais, porém acreditam que deveríamos tratar esta questão com mais seriedade, voltada ao lado “educativo” e com críticas mais construtivas aos motoristas, sem falar palavrões.
As origens do blog
É importante deixar claro aos amigos que, quando criei esse blog, foi para fazer um desabafo contra todos os motoristas egocêntricos que habitam o trânsito de Curitiba. Eu simplesmente estava de “saco muito cheio” com os absurdos do dia a dia. Não pretendia criar uma “campanha educacional” no trânsito de Curitiba, mas, meio sem querer e para meu espanto, isso acabou acontecendo.
Errar é humano, todos erram. Porém, a primeira análise que fiz foi no tocante à intenção do erro. Percebi que muitos motoristas não erram simplesmente “sem querer”. Boa parte deles realmente não se importa com o próximo e não está nem aí para o modo pelo qual dirige. A partir dessa análise, eu presumi que seria muito inocente da minha parte querer “ajudar” e “dar dicas” para uma pessoa que jamais perderá tempo aprendendo. Claro que, eventualmente, muitos motoristas erram sem intenção de sacanear ninguém, porém isso é mais difícil de ver.
A segunda análise que fiz foi com relação à capacidade de aceitação do curitibano. Como vivi aqui toda a minha vida e conheço bem a população de Curitiba, posso afirmar categoricamente que o curitibano não aceita críticas. O curitibano se ofende com qualquer menção os problemas de Curitiba, como está mais do que provado nos vários posts do blog que criticam problemas da cidade. Os ofendidos fecham os olhos até mesmo para índices de violência estampados na mídia. Para eles, é mais fácil negar a realidade (outra postura de corno). Portanto, eu acredito, sinceramente, que a realidade precisa chocar. Eles precisam ser confrontados agressivamente com a realidade de Curitiba para acordar para os fatos que os cercam.
A terceira e última análise que eu fiz foi com relação às demais campanhas de educação de trânsito: será que adiantaram? Cheguei à conclusão que não, pois temos uma população extremamente mal educada, sem senso algum de coletividade. Já houveram muitas campanhas educando as pessoas, geralmente sobre velocidade, álcool e algumas poucas sobre atitudes no trânsito. Vivemos em uma sociedade onde quem é rápido e tem pressa geralmente é criticado, embora a vida moderna remeta inegavelmente a essas fatores. Além disso, eu acho as campanhas de educação politicamente corretas muito chatas. Eu jamais teria paciência para assistir a vídeos de educação no trânsito. Só a menção “vídeo educacional” já se torna chata o bastante. Na era das redes sociais, as pessoas respondem a outros tipos de estímulo. Propagandas usam situações engraçadas. Vídeos virais são completamente inusitados.
Portanto, a forma que escolhi para divulgar meu protesto foi sendo natural. Pensei “vou xingar naturalmente, sem forçar a barra, como eu xingo quando estou irritado e como muitas pessoas fazem mas não admitem“. Por vezes, começo a fazer um vídeo “na boa” e, ao rever as cenas, vou ficando cada vez mais possesso com os absurdos que vejo, e aí não tem jeito. Portanto, esse blog é autêntico e representa a expressão legítima do que eu vejo, concordem ou não. Afinal, jamais vamos agradar a todos, nem sendo “certinhos” e evitando palavrões.
Motivos para o sucesso do blog
Por incrível que possa parecer a algumas pessoas, um dos motivos do sucesso do blog é justamente a linguagem chula, que utilizo para meus protestos. Obviamente, existe um certo senso de humor sarcástico nos vídeos que eu produzo. Mas nem todas as pessoas têm a sutileza ou gosto para apreciar isso.
Muitos seguidores do SinalVermelhoCuritiba.COM jamais parariam para assistir a um vídeo monótono, politicamente correto, simplesmente mostrando cena após cena de barbeiragem em tom conciliador. A linguagem, apesar de chocante, foi um dos fatores que levaram à repercussão do blog. “Alguém teve coragem de colocar pra fora” é apenas uma das centenas de frases que li e dizem respeito a tudo isso.
Portanto, meus amigos, certo ou errado, essa foi a minha escolha, e não pretendo mudar. Vamos deixar o tom politicamente correto para a mídia e para as autoridades. Esse é um blog de protesto, enquanto eu sentir raiva e achar que há motoristas ignorantes que precisam ser xingados, vou fazê-lo.
Você ou algum conhecido seu foi xingado?
Eu procuro não fazer nenhum vínculo pessoal. Se você foi xingado em algum vídeo ou conhece alguém que foi, é muito óbvio concluir que eu não conheço quem aparece nos meus vídeos. A minha revolta foi com relação a uma situação anônima, o que é muito diferente de eu publicar seu nome no blog e falar mal a respeito, coisa que não faço.
Sobre as placas dos carros, saibam que as informações são públicas e qualquer um pode consultar uma placa, bastando pagar uma taxa. Portanto, ao sair no trânsito, perceba que tudo o que você faz é em ambiente público e não privado.
Então, se você foi filmado fazendo aquela besteira clássica, sugiro que dê risada e espalhe o vídeo para os amigos, ao invés de ficar revoltado. Você estará provando a si mesmo que é superior e sabe rir dos seus erros. Levar as críticas para o lado pessoal é se diminuir como ser humano e admitir que você não é capaz de superá-las.
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