- 12 de novembro, 2010
- Categoria: Artigos
Batel Soho: região de Curitiba, compreendida por cerca de 10 quadras ao redor da Praça Espanha, a qual, em golpe de marketing dos comerciantes da região, representados pela Associação de Comerciantes da Região da Praça da Espanha – ASCORES, foi designada com o nome chupado do famoso bairro nova iorquino.

Esta inciativa “jacu”, jeca, provinciana, tinha que vir dos Curitibanos. A origem da palavra é para designar um bairro descolado de Manhattan, onde se vendem roupas de balada muito caras, entre outros objetos de consumo genuinamente interessantes e caros, com a desculpa de serem exclusivos ou alternativos. A Diesel, por exemplo, possui uma exclusivíssima loja boutique nesta região (claro, Curitibano afetado só conhece a loja da 5ª Avenida e olhe lá). A propósito, o nome “SoHo” é uma contração baseada na indicação sul da Rua Houston, “South of Houston”.
Aqui, a caipirada provinciana pegou o termo, juntou com o bairro Batel e usou, de forma arbitrária, para designar um bairro que não é Batel, mas sim Bigorrilho. Aliás, em Curitiba, o povinho cocô inventa nomes chiques para designar bairros de classe média. Exemplos:
- Água Verde = acima da Iguaçu, chamam de Batel (que só inicia realmente a partir da Sete de Setembro)
- Bigorrilho = chamam de Champagnat
- Mossunguê ou Campo Comprido = virou Ecoville
Vídeo que fiz mostrando como é “fácil” estacionar na região do Batel Soho,
em pleno sábado de feriado:
O Champagnat/ Bigorrilho se tornou um apanhado de prédios de classe média e estudantes, onde é impossível achar vagas para estacionar, funcionando também como shopping center para ladrões de som. O Água Verde é o local onde geralmente mora aquele povo que adora pegar fila no domingo, principalmente na Curitibana, Jardins ou Batel Grill (aliás esta acho que fica no Batel mesmo). E o Mossunguê/ Ecoville, até então um bairro simpático, já está ficando lotado.
Em Curitiba, tudo gira ao redor do “modismo” e do “querer aparecer”. Quando lançaram o Batel Soho, foi um evento com muita pompa e socialites. Logo em seguida, começaram com a modinha de sentar na grama, tomar vinho na grama, possivelmente dar o c* na grama e coisas similares, que o Curitibano nunca gostou de fazer (exceto talvez dar o c*). Mas, como uma das modas em New York é tomar Champagne no Central Park (o que, convenhamos, até combina), o Curitibano INVENTOU de tomar vinho na Praça Espanha. VSF! VSF!

Porém, eles esqueceram que, em Curitiba, tudo que inicia com ar de glamour (principalmente quando é forçado), acaba atraindo a “vileiragem” e logo vira reduto de boys da periferia, hippies, desocupados e toda sorte de gente estranha. Quem nunca gostou da natureza e tampouco de sentar na grama, agora vai fincar acampamento no Batel Soho e fingir que aprecia o lado idílico da vida (como se o clima da cidade permitisse isso), passando a tarde a coçar o saco pra parecer “cool” e descolado. Esta pobraiada toda só consegue ferrar com o trânsito da região, agora insuportável pois as ruas simplesmente não comportam tanto movimento. Quem mora perto, agora tem que conviver com todo tipo de gente circulando nas imediações e tiveram coragem até mesmo de lançar um empreendimento chamado “Batel Soho Residence” – não, não, eu juro que não vou por link pro site, meu c*****!
Bom, gente, é o seguinte: vamos acordar! Curitiba não é New York e, a despeito de iniciativas similares em outras regiões do mundo (como London Soho, por exemplo), vocês estão forçando demais! O Batel SoHo simplesmente não existe, seu blog é uma merda e vocês sequer têm site! Aposto que a associação de comerciantes, tão chique que é, não quis gastar dinheiro pra lançar direito a coisa. Quem procura na web mal acha informações consistentes a respeito. Os imbecis não tem cérebro suficiente nem mesmo para aproveitar o hype artificial que criaram. Claro, curitibano metido a chique é sempre pão-duro e não gosta de gastar, pois já tem outras prioridades como roupa de marca e financiamento do carro.
Nada contra uma cidade querer modernizar os lugares, criar ilhas culturais, tudo isso é louvável e contribui para valorizar um centro urbano. Ocorre que esta iniciativa foi muito descarada e forçada, Curitiba precisa de atrações baseadas nos seus verdadeiros costumes… quem frequenta o Barigui já tem que enfrentar bêbados, som alto da galera de Colombo, chega cedo pra fazer exercício e só encontra garrafas quebradas e sujeira. E agora, vão fazer o mesmo na Praça Espanha, emporcalhar a cidade enquanto for moda?
Caramba: se vocês precisam pendurar um banner no meio da praça pra dizer que ali é o Batel Soho, então é porque ali não é o Batel Soho, porra! Vocês esperam ir pra Manhattan e encontrar uma faixa gigantesca dizendo “Little Italy” ou “Greenwich Village” enquanto passeiam pela cidade?
Aparentemente, não estou sozinho nesta cruzada. Achei dois belos artigos a respeito:
Aliás, do último artigo, copio uma citação fantástica, que combina muito com nosso povo:
“- Nada mais provinciano que querer sair da província.”
“- Nada mais provinciano que tentar negar suas origens.”
Citação creditada a um cardiologista do Hospital Angelina Caron, creio que posso imaginar quem seja.
Atualização 19/03/11: Porquice dá as Caras no Batel Soho
Atualização 20/08/11: Morte no Batel Soho Envergonha Curitiba
Atualização 04/03/12: Reveillon Fora de Época: Mais VERGONHA para Curitiba
SUPER ATUALIZAÇÃO 26/09/12 (se você se ofendeu, talvez se enquadre aqui): Busão Curitiba + Batel Soho = Estudo Antropológico dos Curitibanos
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