- 9 de dezembro, 2011
- Categoria: Artigos
Os cidadãos de Curitiba, de forma geral, são bastante indignados com os taxistas. De quem é a culpa? Não preciso ir muito longe, temos vários artigos e vídeos a respeito, tais como:
-> Amigos Taxistas – Aqueles que Deveriam ser Profissionais
-> Taxista revoltado diz: “saia da minha cidade”
-> Taxistas: Como Funciona a “Justiça Laranja”
-> Amigos Taxistas 2 – Existo, logo Atrapalho
-> A Mentalidade Taxista
Entretanto, recebi de um admirador do blog, empresário da capital (que pediu para não ser identificado), um manifesto interessantíssimo a respeito da “raça” – através desse relato que demonstra a precária situação dos táxis em Curitiba, podemos ter uma ideia dos motivos pelos quais eles são tão odiados. Se eles não tomarem providências, logo estarão no mesmo grau de admiração que nutrimos por nosso políticos.
Em preto: relato do empresário.
Em vermelho: comentários do SVC.
Situação Precária dos Táxis em Curitiba – Relato de um Empresário
Eu não gosto de depender de táxis, porém sou obrigado a utilizá-los com certa frequencia. Para agilizar o atendimento que presto aos meus clientes, muitos dos quais encontram-se localizados na região central da cidade, recorro a táxis para não perder tempo procurando estacionamentos e me deslocando a pé. Além disso, costumo deixar meu carro para lavar toda semana, eventualmente ele vai para a revisão, e tudo isso me obriga, mais uma vez, a utilizar serviços de táxi.
SVC: já estou sentindo pena do amigo empresário.
Porém, a qualidade do serviço vem decaindo cada vez mais. Antigamente, chamar táxi em Curitiba era uma questão de aguardar 5 a 10 minutos. O trânsito era melhor e os carros existentes na praça atendiam às necessidades da população. Agora, o serviço descambou para a bagunça. Nunca sei se vou conseguir o táxi em 5 minutos ou uma hora. Acham que estou brincando?
Não, eu não acho. rs
Esses dias deixei meu carro para uma revisão na concessionária, que fica na Mal. Floriano Peixoto. O táxi foi chamado às 8h da manhã e até 8h20 nada de aparecer. Liguei na central, que informou que “não havia carro na região” – ok, só esqueceram de me avisar disso da primeira vez em que chamei. Outras centrais estavam com os telefones ocupados, de forma que tive que aguardar até as 8h45, ou seja, esperei exatamente 45 minutos por um táxi.
PQP! 45 minutos aguardando para ser atendido por um corno, é foda! E essa central, que zona é essa? Putz, chamei de corno, desculpem. rs
A cada táxi que eu pego, aproveito para conversar com os motoristas e entender um pouco dessa bagunça. Nesse dia, o taxista me explicou que só tinha sido avisado pela central alguns minutos antes (presumo que foi quando ficou livre, mas não sei) e que, fora os horários de pico (início e final do dia), eles ficam ociosos, com pouco serviço, parados nos pontos.
Entretanto, com outro carro que peguei, o motorista me falou exatamente o oposto: disse que não fica parado um minuto sequer e que tem demanda o dia todo. Esse motorista também era afiliado a uma central de rádio táxi. Ou seja, que conclusão podemos tirar disso? Há ou não há movimento?
Bem, meu amigo, a conclusão óbvia é que o primeiro motorista estava mentindo apenas para acobertar a pouca vergonha da realidade curitibana. Mas temos que entender, afinal de contas, a região das concessionárias na Mal. Floriano, é MUITO LONGE do centro – são cerca de 2 ou 3 Km!
Dia de chuva, então, esqueça. É impossível pegar um táxi com chuva em Curitiba. Na revisão anterior do meu veículo, no mesmo local, eu simplesmente não consegui ligar para nenhuma central, pois todas estavam com o telefone ocupado, e vi outros clientes aguardando há 40 minutos sem conseguir um carro. Tive que pedir a um funcionário para sair da empresa e ir me buscar, do contrário jamais chegaria ao escritório.
Mas que baita produtividade teve o seu dia, hein meu amigo? PQP, nessa hora conseguimos perceber que VIVEMOS NA ROÇA – nem vou falar mais nada.
A situação não é diferente quando preciso de um táxi no meu escritório, que fica na região da Av. Batel. Aqui deveria haver táxi com facilidade, já que o bairro é central e nobre. Porém, não é isso que observo. O tempo de espera após chamar um táxi varia de 5 a 30 minutos. Então, geralmente peço para minha secretária chamar o carro, aguardo 15 minutos e desço (trabalho em um edifício comercial). Já aconteceu de eu descer, com pressa, e ter que aguardar mais 10 ou 15 minutos além do tempo inicial. E já aconteceu de eu descer e o táxi havia chegado em 5 minutos porque estava perto, portanto ficou 10 minutos aguardando. Isso é o pior, porque geralmente o motorista fica num mau humor daqueles, um já chegou a me dizer que “estava quase indo embora” e outro chegou mesmo a ir embora sem dar satisfação. Ou seja, não desci em 8 minutos e ele se mandou. A burrice é deles, pois geralmente dou boas gorjetas quando sou bem atendido. Quando o taxista reclama, simplesmente não dou gorjeta e exijo todos os centavos do troco.
Baita profissionalismo que você percebeu nestes pseudo-profissionais, hein meu caro? Dá pra perceber o “naipe” destes imbecis por esse lamentável e infeliz relato.
Os porteiros do meu edifício sabem do drama, pois todos os condôminos, quando precisam de um táxi, enfrentam problemas parecidos. E os porteiros reclamam da grosseria e falta de consideração dos taxistas. Por exemplo, eles raramente saem do carro para avisar que estão aguardando uma pessoa, o que faria com que a portaria interfonasse para o conjunto comercial e possivelmente acelerarasse o atendimento. Segundo os porteiros, é muito difícil saber se o táxi está aguardando alguém do prédio comercial ou de outro local próximo.
Vai ver que é por isso que os taxistas andam tão “em forma” (de bola). Já passam o dia sentado – ainda têm preguiça de sair do carro. Aí é foda.
Infelizmente, isso tudo não se resume ao horário comercial. Nos finais de semana, eu costumo enfrentar problemas muito parecidos. Conforme o local que eu costumo ir (teatros ou festas, por exemplo), evito usar o carro por questão de praticidade ou até mesmo porque quero beber, e minha esposa me acompanha. Como sou totalmente contra dirigir alcoolizado, recorro a táxis nessas horas também. Um dia, cheguei a perder a abertura de um evento que minha empresa estava patrocinando, por um motivo bem simples: liguei uma hora antes do horário para três centrais diferentes, e pedi um carro para 30 minutos. Era sábado à noite. Todas as centrais estavam com tempo de espera variando entre 1h a 2h. Eu mal pude acreditar. A solução foi ir com o meu carro, mas o local era de difícil estacionamento, acabei tendo que deixar o veículo longe, em uma rua escura e perigosa, e andar a pé até o evento. Minha esposa não gostou nada da experiência e sugeriu que voltássemos a morar em São Paulo, onde, segundo ela, “pelo menos conseguimos pegar um táxi quando queremos“.
Como eu sou de Curitiba e gosto de viver aqui, relevei o comentário dela como um momento de raiva. Mas entendo a frustração dela. Quando contamos esse tipo de coisa para nossos amigos de São Paulo, eles mal acreditam. Acham que estamos exagerando e dizem que Curitiba é uma cidade elogiada pelos paulistanos, que acham que temos qualidade de vida, etc. Mas eu digo que, ultimamente, perco muito mais tempo me deslocando em Curitiba do que em São Paulo e que a qualidade de vida em Curitiba caiu bruscamente.
Uma coisa que eu e todos os taxistas temos em comum é: todos reclamamos do trânsito. Claro que, infelizmente, para eles o trânsito se torna a “desculpa oficial” para o péssimo atendimento que prestam e para o fato de nunca cumprirem horários.
Irretocável tudo que o amigo falou. E muito interessante o comentário de sua esposa sobre São Paulo, pois também tenho a mesma impressão. E concordo – todo mundo usa o trânsito como desculpa padrão para reclamar de atrasos.
Um taxista me explicou que o motivo de não haver carros disponíveis aos sábados é que os taxistas não gostam de trabalhar no fim de semana.
Outro me disse sabe o quê? Que nós chamamos táxi na mesma hora. Ah tá, A CULPA É NOSSA AGORA. ENTENDI.
Um belo dia, os porteiros do meu prédio tiveram uma ideia “fantástica” - conversaram com os taxistas de um ponto que fica a duas quadras do prédio, e fizeram um acordo para atendimento do nosso pessoal. Eles ligariam para o telefone do ponto e, havendo carro disponível, chegariam em menos de 5 minutos. De início, achei muito bom, mas logo depois, a ideia descambou. Os táxis do ponto geralmente são piores em conservação do que os carros das centrais, e parece que os motoristas são ainda mais grosseiros. Lembro até hoje de um episódio que jamais esquecerei:
Um cliente importantíssimo agendou reunião de última hora – pediu para eu ir ao escritório dele imediatamente, justamente no dia em que meu carro estava na revisão. Pedi para minha secretária ligar para o ponto de táxi diretamente, por “sorte” havia um carro disponível e ela me falou que estava vindo em menos de 5 minutos. Peguei minhas coisas e desci rapidamente. No caminho entre o elevador e a portaria, parei para auxiliar uma senhora que entrava com dificuldades de entrar no prédio e a conduzi até o elevador, inclusive apertei o botão do andar para ela. Ao chegar na portaria, em menos de 5 minutos após chamar o táxi, o carro estava lá, sem passageiros e… SAINDO. O porteiro comentou que ele havia atendido o celular e saído imediatamente. Ou seja, ele recebeu uma chamada para outra corrida e me abandonou sem dar qualquer satisfação. Como eu não tinha anotado a placa ou o número do carro, não tive nem com quem reclamar.
E o pior não foi isso. Ao ligar para o ponto, não havia nenhum táxi disponível (ninguém atendeu) e tive que recorrer novamente às centrais de rádio táxi. Tive que aguardar mais 20 minutos (sorte que não foram 40), cheguei na reunião muito tempo depois do esperado e, para meu desgosto, não pude terminar o atendimento porque meu cliente estava saindo em viagem. Resultado? Levei um mês a mais para fechar o negócio e perdi uma receita de cerca de R$ 50 mil por ficar um mês sem o contrato. Tudo isso por culpa de um taxista.
Agora, fiquei sem palavras. Primeiro, eu queria descobrir quem é esse taxista FDP e sem ética para poder denunciá-lo e mandar ele pro lugar que ele merece, ou seja pra PQP. Isso acaba com a moral de toda uma classe. Fiquei indignado de verdade com seu relato e meu caro, te digo uma coisa – isso jamais deveria ser assim, eles que estão errados e não você. E esse seu relato de “cliente marcando reunião em cima da hora” cai muito bem com o que já discutimos no post Tá com pressa? Sai mais cedo! (CLIQUE) – ou seja, há imbecis que não entendem que, para um executivo, não é possível cumprir horários nem sair mais cedo! Essa é a lei dos negócios, que só mesmo pessoas de mente curta não compreendem.
Prefiro nem comentar sobre a forma que os taxistas dirigem. Embora eu não seja tão apressado quanto o amigo do Sinal Vermelho Curitiba, confesso que, de forma geral, em Curitiba os taxistas dirigem muito mal, de forma lenta, e não se importam com a pressa do passageiro. Em São Paulo é diferente. Lá, pegar um táxi para uma reunião de negócios é a garantia de que chegarei no horário, pois os motoristas são cordiais, profissionais e fazem de tudo para levar o cliente rapidamente ao destino. Já cheguei a atravessar a cidade de Guarulhos a Congonhas para mudar de avião em menos de um hora graças a um profissional que salvou minha viagem de negócios. Lá é mesmo muito diferente e os taxistas daqui deveriam aprender com esses exemplos. Enquanto em São Paulo meus negócios são salvos pelos táxis, aqui eles são arruinados.
Lamentável, tupiniquim, caipira e deprimente.
Prezado Sinal Vermelho Curitiba, queira desculpar meu longo desabafo, mas foi bom aproveitar o espaço que você me deu para divulgar a situação real que eu vivi e que outros colegas empresários enfrentam, diariamente.
Oras, foi um prazer receber seu importante relato.
Em momentos como esses, percebo que Curitiba não está preparada para receber uma Copa do Mundo, essa cidade que eu tanto amo possui estrutura precária e os governantes não investem o suficiente. A qualidade do asfalto está péssima, faltam trincheiras e vias rápidas de verdade, e a cultura do motorista precisa mudar, tem que haver mais cooperação. Se fosse pela minha esposa, nem estaríamos mais morando aqui.
Lamento muito, o que você fala é a expressão da verdade.
Finalmente, gostaria de deixar aqui a conclusão da minha longa história de sofrimento na mão de péssimos profissionais. Decidi que, de hoje em diante, não pego mais táxi em Curitiba. Comprei um carro a mais para a frota da empresa e sempre tenho um colaborador de prontidão para me levar a compromissos emergenciais quando não posso ou não quero usar meu carro. Sim, fui obrigado a chegar a esse ponto e estou recomendando a todos os meus amigos que façam o mesmo. E agora, quando saímos à noite, sempre tem alguém que obrigatoriamente não bebe para levar os outros para casa, pois descobrimos que depender de táxi é o mesmo que não poder contar com ninguém.
Profundo. Adorei sua última frase. Acho que Curitiba precisa pedir desculpas a você. Você foi obrigado a colocar mais um carro em circulação por causa de péssimos profissionais. Agora, eu lanço a pergunta:
Quem sai perdendo com isso? Nós ou os taxistas?
Certamente para eles, você é um cliente a menos. E eu espero que outros sigam o seu exemplo. Eu seguirei.
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